A Notícia

Sábado
22 de novembro de 2014

CLARA DE CASTRO ROGÉRIO

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Nascida em 31 de dezembro de 1911
Falecida em 17 de janeiro de 2005

 

Por João Carlos Vargas e Flávia Alves Junqueira – Memorial Municipal de Muriaé

Clara de Castro Rogério, a Dona Clarinha, nasceu no dia 31 de dezembro de 1911, na residência de sua família, especificamente, no bairro da Barra, em Muriaé. Filha de Antônio de Souza Castro e de Elvira Rogério de Castro, tinha cinco irmãos: Doutor Antônio Rogério de Castro; Doutor Francisco Rogério de Castro; Elvira (Dona Filhinha); Dulce; Professora Elza Rogério de Castro Renhe.

Dotada de uma personalidade agradável e profundo espírito religioso, Dona Clarinha era conhecida por sua elegância e por sua vaidade sadia no vestir e no portar-se socialmente.

Participou desde criança de movimentos religiosos, contribuindo para a instalação da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, na Barra.

Iniciou seus estudos no Grupo Escolar Doutor Silveira Brum, tendo como mestra, durante todo o período escolar, a saudosa professora Julieta Macedo. Frequentou, no Rio de Janeiro, o Colégio Santos Anjos, dirigido por uma congregação religiosa. A seguir, matriculou-se no Colégio Sacrée Coeur de Marie, na cidade de Ubá, diplomando-se em 1928, como professora de 1º grau, de acordo com a reforma de ensino daquela época.

Especializou-se em Matemática pelo curso da Escola Oficial de Belo Horizonte, em 1930, obtendo do Ministério da Educação e Cultura, registro de professor desta disciplina nos níveis de 1º e 2º graus. Assim, Dona Clarinha fundou e dirigiu o Instituto de Instrução Primária, de padrão modelo, substituído, mais tarde, pela Escola Estadual Desembargador Canêdo, sendo a primeira escola de ensino primário no bairro da Barra.

Em 1948, aprovada no concurso da Secretaria do Interior e Justiça de Minas Gerais, Departamento de Assistência aos Municípios para exercer os serviços de Contabilidade da Prefeitura Municipal de Muriaé, no regime estatutário, foi nomeada pelo então prefeito Cândido José Monteiro de Castro, onde trabalhou com todo o setor contábil até o governo de Paulo Fraga, aposentando-se em 1977. Mas, continuou a trabalhar, sendo que, de fevereiro de 1977 a 1983, foi contratada para a função de Assessora Municipal de Planejamento deste município pelo então prefeito João Braz.

No período de 1957, deu assistência ao escritório da Cooperativa Regional dos Cafeicultores da Zona da Mata como auxiliar. De 1971 a 1973, foi auxiliar de diretoria do Setor Legal da CNEC (CCEM).

Como titular da cadeira de Matemática, prestou serviços no Colégio Santa Marcelina, de 1935 a 1949; Colégio Santo Antônio, já extinto; e, Escola Estadual Doutor Olavo Tostes, de 1965 a 1977.

A Casa da Criança foi a extensão da casa de Dona Clarinha, que ali se dedicou voluntariamente durante vários anos. Participou da fundação e instituição da Associação de Proteção à Maternidade e Infância, criada em 1947, presidida pelo então deputado Doutor Antônio Canêdo, sendo escolhida para exercer o cargo de 2ª secretária, ocupando, posteriormente, a 1ª secretaria, deixando suas atividades em 1987, portanto, após 40 anos de serviço. Neste período, geriu a casa sob a presidência de Amália Polastri de Castro, esposa do ilustre Cândido José Monteiro de Castro, o Candinho de Castro. Dona Clarinha participou da construção dos prédios onde funcionam a Casa da Criança, um ambulatório à Rua Lincoln Marinho, na Barra, e o Jardim de Infância Doutor Antônio Canêdo.

Em parceria com a A.C.B.A., gerenciou os programas de leite em pó para as crianças de 6 a 12 anos e almoço para as crianças carentes do Pré-Escolar. Em parceria com as Cooperativas de Leite da cidade, manteve um programa que beneficiou cem idosos carentes com fornecimento diário de leite. E, na gestão administrativa do prefeito Doutor Cristiano Canêdo, foi mantido, com a participação da Prefeitura Municipal, o programa de leite de soja atendendo a mais de 1200 crianças carentes.

Faleceu no dia 17 de janeiro de 2005, em Muriaé, aos 93 anos de idade. Nesta data, o prefeito José Braz, em seu primeiro mandato, decretou luto oficial de três dias. Durante todo o dia, familiares, amigos, ex-alunos, políticos e pessoas da comunidade em geral estiveram no salão nobre do Paço Municipal, onde o corpo foi velado, para dar o último adeus àquela que foi um grande vulto na história de Muriaé.

Clara de Castro Rogério deteve vários títulos, uma justa homenagem e reconhecimento prestado por instituições da nossa comunidade por seu exemplo de trabalho dedicado, humildade e amor à nossa Muriaé. Além disso, temos a Escola Municipal Clara de Castro Rogério, no bairro do Porto, reformada e reinaugurada no dia 27 de setembro de 2006.